sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

irmãos campana_domotex






os irmãos campana estão por toda parte!
qualquer revista que você abrir de comportamento, moda, turismo ou decoração na europa você vai encontra-los... ou com projetos de design de interiores, de móveis, de sandália, de bolsa...

acabo de trombar com um desenho deles chamado CIRCUS exposto na feira domotex em hannover concorrendo na premiação carpete design awards. eles não ganharam o primeiro lugar, mas ficaram entre os 3 melhores da categoria best innovation. o mesmo tapete estampou a capa da melhor revista sobre tapetes contemporâneos chamada cover no final de 2010. ele é pouquíssimo prático, mas divertido e diferente. não funciona pra colocar no chão de forma alguma porque você pode tropeçar, a cadeira vai ficar torta, etc. mas é uma bela peça pra colecionar, colocar na parede ou utilizar como uma escultura, sem fazer parte dum layout de interiores convencional e cotidiano.

nesta mesma linha, os irmãos possuem também outros objetos, como é o caso da cadeira MULTIDÃO. ela é super interessante e também utiliza os bonecos de pano da cidade de esmeralda no nordeste brasileiro. lançada em 2002, tinha uma proposta de representar os milhões de nordestinos que hoje vivem em sp.


estes caras são realmente bons e deixam os tradicionalistas, que dizem que eles são artistas e não designers, sem palavras ou enfurecidos. não desenham para produzir em série, esta conversinha ultrapassada de quem diz que design tem que ser industrial e pronto! os campanas explodem os limites da arte, do design industrial, de produto, de interiores, artesanal e produzem em diversas instâncias. pra quem fica defendendo e protegendo uma profissão específica (reserva de mercado), eles são realmente um exemplo ameaçador. cada dia mais o universo do design se faz livre e poroso. aí está um fator positivo. eu gosto muito desta ausência de limites e fico pensando que, às vezes quando não se conhece bem a área na qual você começa um processo de criação, é exatamente a hora que se inova.

domingo, 16 de janeiro de 2011

DOMOTEX_feira de tapetes em hannover 2011

visitar a feira de tapete domotex todos os anos pode não ser uma boa idéia. a velocidade com que se inova no mundo dos tapetes é diferente do universo da moda, por exemplo. portanto, como viemos à feira no ano passado, vimos muitas novidades que ainda são boas novidades, mas não percebemos coisas realmente inovadoras e que pudessem ser contadas aqui enquanto tal. pode-se falar em tendências de cores: fundos escuros fendi, marrons, azuis e estampas beringela, bordeaux, pretas, isto sim! os desenhos clássicos destruídos na lavagem (stone washed) também ganharam uma proporção enorme nos principais estandes.


a feira tem uma premiação com um juri especializado sensacional e o fato da premiação se tornar aberta neste ano pra quem não está expondo na feira é ótimo. isto fez com que muitos tapetes diferentes e de diversas regiões do mundo pudessem participar.

nesta foto à esquerda é o estande do rug star que fica junto do stand do jan kath à direita

jan kath continua sendo "o cara"! neste ano ele venceu em duas categorias do prêmio e agora está realizando parceria com os produtores orientais. isto é uma boa atitude. subiu ao palco pra receber o prêmio convidando a turma do oriente para subir com ele. mas as inovações ficaram por conta das coleções tradicionais e na revisão da tradição e não nas coleções que foram o carro chefe dele até hoje: modern rugs.

outras cias produtores de tapetes contemporâneos e muito fashion (em geral inglesas, mas também alemãs, canadenses e suíças) estão visivelmente crescendo. uma delas é parceira do jan kath, a rug star. eles são realmente arrojados, mas, eu, particularmente, acho os tapetes muito desenhados, artísticos demais e nada comerciais (pelo ao menos não venderia no brasil). muita cor e forma. isto acaba competindo com o restante do espaço e talvez até enjoando de tão forte. fico pensando que este tipo de peça é realmente diferente de uma boa peça de design. fica exatamente no limite entre o design e a arte. daí que tá valendo pra compor ambientes das casas dos colecionadores (e falar isto mataria qualquer curador ou artista de raiva se estivessemos falando de pinturas). às vezes tapetes para serem pendurados na parede ou pra ficar solto numa grande sala... eu prefiro os que são radicalmente novos na técnica e no design, mas que podem ser usados em muitos ambientes e possuem uma presença mais sutil. e que, claro, cumpram seu papel de oferecer conforto ao espaço. outras novas cias também produzem um design bastante interessante e vale citar aqui (premiadas ou finalistas também neste ano): floor to heaven e a knots rugs.





também é bom lembrar que há uma nova leva de designers e cias que são de origem árabe e que estão desenvolvendo tapetes com características fortes tradicionais, mas também com inovações nos acabamentos, cores e padronagens, sem perder as características milenares orientais. alguns deles: zollanvari, hanif sons e chuk palu rugs.


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

domotex e contractworld 2011



como desenho tapetes para a loja marie camille desde 1996, durante anos venho frequentando as feiras de tapete na alemanha. estas visistas fazem parte da pesquisa que fazemos anualmente dentro do processo de criação das coleções que criamos. ao todo já realizamos mais de 10 coleções de desenhos contemporâneos com tapetes confeccionados na índia e no nepal. normalmente desenhamos no brasil, enviamos os desenhos para os agenciadores que contratam os produtores de tapete nestes locais. uma vez por ano, viajamos para verificar a produção e aproveitamos para visitar as melhores feiras de tecido, tapete e design da alemanha (que no meu entender são as melhores do mundo). a feira domotex em hannover acontece junto ao contractworld, que é um congresso muito bom de arquitetura e design de interiores. no ano passado tive a oportunidade de assistir a uma palestra emocionante do arquiteto japonês shigeru bahn e diversas outras apresentações de escritórios europeus já consolidados, além de apresentações de portifólio de outros escritórios que apenas estão começando seus trabalhos. como sempre, fica evidente o quanto a arquitetura e o design estão em fase avançada na europa e, particularmente na alemanha, assim como na holanda e na inglaterra. as investigações tecnológicas e de materiais são prioridade. diferente do design italiano e espanhol, o design destes países valoriza a sustentabilidade e o uso cotidiano, ao invés da estética quase que pura... o que convenciono chamar ironicamente de desenhite!

estarei nesta feira entre o dia 14 e o dia 18 de janeiro e postarei as coisas mais interessantes. no ano passado participei da entrega dos prêmios e anunciei os vencedores quase em tempo real...

mas o que é sempre maravilhoso na domotex é poder presenciar as inovações que o maior designer de tapete atual Jan Kath desenvolve com pesquisas experimentais. venho acompanhando o trabalho dele desde seu início na domotex. aqui uma matéria sobre a sua produção, que mostra exatamente a mesma técnica com que produzimos nossas coleções no nepal.

imm cologne 2011



a imm cologne, feira que acontece todo mês de janeiro em colônia na alemanha, tem crescido anualmente. já participei dela algumas vezes e no ano passado tive a oportunidade de postar as produções mais interessantes. ela normalmente se divide por setores e apresenta novidades de grandes empresas de design internacional. mas esta feira tem um diferencial que é lançar novos designers, muitas vezes estudantes com seus trabalhos de graduação. em alguns casos algumas escolas de arquitetura e de design fazem parte do evento e criam estandes com catálogos sobre a escola e exposição com projetos mais experimentais realizados.

este ano eles lançaram uma publicação online focando na área educativa que a feira oferece ao público. vale à pena dar uma olhada.

nos dias 18, 19 e 20, etarei visitando a feira e vou tentar postar diariamente os roteiros realizados (se eu não ficar seduzida demais pelas festas já agendadas com djs incríveis que andei pesquisando na tal publicação trendy!!!).

domingo, 29 de agosto de 2010

michael wesely





vale a pena conhecer melhor o trabalho do fotógrafo michael wesely.

eu e a renata marquez fizemos uma entrevista com ele na abertura da 25 bienal de arte de são paulo.

leia na íntegra a entrevista no blog geografia portátil.

sábado, 31 de julho de 2010

sábado, 12 de junho de 2010

carta à D



colagem de textos coletados pela internet afora:

"André Gorz, nascido Gerhard Hirsch, (Viena, fevereiro de 1923 — Vosnon, 22 de setembro de 2007) foi um filósofo austro-francês, também conhecido pelo pseudônimo Michel Bosquet. Como jornalista, ajudou a fundar em 1964 o semanário Le Nouvel Observateur. Apoiador de Sartre na versão existencialista do marxismo depois da guerra, rompeu com ele após o Maio de 68. Passou a se interessar por ecologia política e tornou-se um de seus principais teóricos. Seu tema central foi o trabalho: liberação do trabalho, justa distribuição de trabalho, trabalho alienado, etc. Ele também defendeu a Renda Básica de Garantia (ou Renda básica de cidadania), que tem no Senador Eduardo M. Suplicy seu principal defensor no Brasil. Autor da obra Metamorfoses do Trabalho, na qual analisa, entre outras questões, a relação do Cálculo Contábil com a Racionalidade Econômica. André Gorz cometeu suicídio no dia 24de Setembro de 2007, aos 84 anos, porque sua mulher, Doriane, estava acometida de doença incurável, e segundo o próprio Gorz, não seria possível para ele viver um segundo sequer nesse mundo sem a presença e a companhia de sua amada. Na verdade, André Gorz, preparou duas injeções letais e deitou na cama ao lado de sua amada. Injetou a primeira em sua mulher, Dorine, e em seguida fez o mesmo no próprio corpo. Dois dias depois foram encontrados por uma amiga, na vila de Vosnon, próximo a Paris. Estavam abraçados. Ele estava com 84 anos, ela 83. Algum tempo depois, em sua casa, entre tantos tratados políticos e filosóficos são encontradas as 74 páginas escritas dois anos antes pelo suicida. Trata-se do que mais tarde seria o best seller Carta a D. – História de um amor. No Brasil, ele foi publicado pela CosacNaif."

taí o livro mais lindo de amor que já li...

em janeiro de 2009, eu estava em caraíva (o meu cantinho predileto do nosso litoral), numa casa com uma varanda enorme e cheia de redes e colchões, entre amigos muito queridos, com a maravilhosa tarefa cotidiana (quase full time) de dar cabo de parte da literatura que não consigo ler durante o semestre letivo. isto é um horror, mas só me permito este tipo de prazer durante as férias. normalmente (todos os dias) leio pilhas de textos e trechos de livros aplicados ao trabalho e vou empilhando um a um os livros, que realmente importam pra vida da gente, ao lado da cama, na espera das férias (escolares).

naquele verão baiano, eu descobri milton hatoum (dois irmãos, cinzas do norte) e decidi considera-lo o melhor escritor brasileiro atual. li tb o impressionante história do olho do bataille, e me deliciei com o divertidíssimo manual do hedonismo que ficava no banheiro para que todos lessem e marcassem a passagem (que ficava ali de presente pro próximo usuário) numa espécie de jogo praiano,... mas o que realmente me marcou foi ler o carta à D. defenssora que sou do não julgamento de quem decide morrer quando quer (e não fica esperando deus ou qualquer fatalidade decidir a hora) e também, da possibilidade de se encontrar um amor romântico, eterno e cúmplice, fiquei em êxtase. estava nas minhas mãos um texto que também era político, mas muito sincero (cheio de mea culpa) de um homem apaixonado declarando seu amor incondicional.

foi ali que decidi, depois de tantas desilusões amorosas, que eu não iria desistir de acreditar: nem na morte voluntária e nem no amor eterno.

trecho do livro:
"Mas nada disso dá conta da ligação invisível pela
qual nós nos sentimos unidos desde o início. Por mais que
tivéssemos sido profundamente diferentes, mas eu não
deixava de sentir que alguma coisa fundamental era comum
a nós, um tipo de ferida original – há pouco eu falava
de 'experiência fundadora': a experiência
da insegurança. A natureza desta não era a mesma para você e para
mim. Não importa: para ambos, ela significava que não
tínhamos um lugar assegurado no mundo, e só teríamos
aquele que fizéssemos para nós."


é isto.
um texto apaixonado no dia dos namorados.