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sábado, 29 de janeiro de 2011

produção de tapetes no paquistão




preciso confessar uma coisa muito importante antes de explicar como são feitos os tapetes confeccionados em tear por estas bandas (paquistão, nepal, afeganistão, turquia, etc).

quando comecei a desenhar pra marie camille e fui ao nepal pela primeira vez visitar os teares onde eram confeccionados os tapetes, eu fiquei muito impressionada com a pobreza das vilas medievais próximas à kathmandu. os locais onde ficavam os teares eram sujos, escuros, mulheres teciam com crianças amamentando em seus colos... depois da nossa primeira coleção, quando voltei dois anos depois, percebi um grande avanço nas condições de trabalho. os nossos mais de dois mil metros de tapetes tinham feito com que os agenciadores dos teares conseguissem locais bem mais agradáveis para que as pessoas pudessem trabalhar. e depois disto, à cada ano, tudo ficava melhor. hoje em dia, a produção tem sido levada para teares distantes da cidade porque as organizações ligadas ao comunismo chinês (parece até piada) aliciam os artesãos com salários (dinheiro vindo da china) para pertencerem ao partido e parar de produzir tapetes. daí que não temos mais acesso à produção das novas coleções por lá.

mas agora que estamos produzindo no paquistão desenhos contemporâneos, havia muita curiosidade em saber como eram as condições de produção por aqui. com esta visita que fizemos às fábricas parceiras, pude observar locais de trabalho não só agradáveis e limpos, mas, locais deliciosos organizados, com espaços de descanso pros artesãos. uns possuem até mesquita para que todos possam rezar as 5 vezes ao dia, necessárias para os mulçumanos.

na verdade, neste locais, os tapetes não são confeccionados em teares. eles recebem os tapetes vindos de teares principalmente do afeganistão. estes tapetes são feitos dentro de uma lógica de economia familiar por lá. como economia complementar para as famílias, na sua maioria, rural.

isto também me deixou bastante feliz. pros clientes ocidentais é quase um caos. porque as encomendas não possuem um prazo exato para ficarem prontas. sempre vai depender do tempo de cada família. uns param por um tempo pra viajar, porque alguém ficou doente, etc. gostei muito disto. volto feliz pra casa. (além de estar bem feliz com as manifestações que depuseram o ditador na tunísia, o que detonou um processo de manifestações pacíficas em todo o oriente: egito, jordânia, paquistão... acho bem bom que o povo do oriente coloque um freio nos eua, que vêem financiando governos corruptos por aqui em troca de ter apoio e bases militares para ameaçar a china e o irã)... bom, voltando ao assunto tapetes, que pra mim não se separam mais de política:

depois que estes tapetes chegam, daí começa uma etapa de finalização: aparar as sobras, nivelar a lã (que sempre chega em tamanhos irregulares), completar algumas falhas, cortar as bordas, lavar... depois? estrada, container, navio, 6 meses no mar, porto do rio, estrada, belo horizonte!

desenhando ponto por ponto (nó por nó) em escala real num papel
quadriculado que irá para o tear familiar em tribos no afeganistão

traduzindo o desenho do papel quadriculado pruma língua específica
inintendível do mundo dos tapetes persas e orientais

a língua maluca: talim (tradução do desenho técnico em papel quadriculado em um dialeto próprio)

aqui o desenho de criação no photoshop e impresso (papel pequeno), o desenho no papel quadriculado em escala real sobre as lãs utilizadas neste desenho + um tapete pronto!


escolhendo cores das lãs pra criar uma cartela de cor pra nova coleção


criando novas peças ali mesmo...

discutindo desenhos e técnicas com os donos da fábrica

artesão ao tear acompanhando a linguagem do talim

tear em lahore

acabamento com material tradicional de costura: linha, agulha e tesoura

lavagem final (antes de um último acabamento)

secando o tapete depois da lavagem

chão de fábrica


descanso!

الله‎

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

escolhendo tapetes em jaipur
















eu desenho tapetes para marie camille desde 1998. as coleções são realizadas quase que anualmente. do processo de criação até a confecção das peças, a loja espera por quase dois anos para ter os tapetes prontos para venda. eles são produzidos no brasil, na índia, no nepal e no paquistão. dependendo do tamanho, um tapete demora sendo confeccionado no tear quase 6 meses. daí ele vai para o brasil de navio, o que leva mais alguns meses dentro de containers pelo mar afora... neste ano estamos visitando fábricas e escolhendo cores, texturas, desenhos e dimensões. desta vez meu trabalho aqui não está sendo de conferir se meus desenhos estão sendo confeccionados corretamente, mas tem sido um trabalho de consultoria na montagem das peças. em jaipur visitamos 3 fábricas. o legal é que antes estivemos nas feiras e pudemos observar as tendências de técnicas, cores e desenhos. isto foi bem importante para que esta estapa de escolha das peças fosse bastante consciente entendendo que estes tapetes estarão na loja apenas em 2012. patchworks, desbotados, lavados em stone wached, desgastados, com aparência de velho ou de inacabado, estas são as qualidades que estamos buscando nas fábricas por aqui... hoje vamos para o paquistão visitar mais duas, e daí os desenhos são mais tradicionais, a maioria com inspiração nas tribos antigas orientais...

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

irmãos campana_domotex






os irmãos campana estão por toda parte!
qualquer revista que você abrir de comportamento, moda, turismo ou decoração na europa você vai encontra-los... ou com projetos de design de interiores, de móveis, de sandália, de bolsa...

acabo de trombar com um desenho deles chamado CIRCUS exposto na feira domotex em hannover concorrendo na premiação carpete design awards. eles não ganharam o primeiro lugar, mas ficaram entre os 3 melhores da categoria best innovation. o mesmo tapete estampou a capa da melhor revista sobre tapetes contemporâneos chamada cover no final de 2010. ele é pouquíssimo prático, mas divertido e diferente. não funciona pra colocar no chão de forma alguma porque você pode tropeçar, a cadeira vai ficar torta, etc. mas é uma bela peça pra colecionar, colocar na parede ou utilizar como uma escultura, sem fazer parte dum layout de interiores convencional e cotidiano.

nesta mesma linha, os irmãos possuem também outros objetos, como é o caso da cadeira MULTIDÃO. ela é super interessante e também utiliza os bonecos de pano da cidade de esmeralda no nordeste brasileiro. lançada em 2002, tinha uma proposta de representar os milhões de nordestinos que hoje vivem em sp.


estes caras são realmente bons e deixam os tradicionalistas, que dizem que eles são artistas e não designers, sem palavras ou enfurecidos. não desenham para produzir em série, esta conversinha ultrapassada de quem diz que design tem que ser industrial e pronto! os campanas explodem os limites da arte, do design industrial, de produto, de interiores, artesanal e produzem em diversas instâncias. pra quem fica defendendo e protegendo uma profissão específica (reserva de mercado), eles são realmente um exemplo ameaçador. cada dia mais o universo do design se faz livre e poroso. aí está um fator positivo. eu gosto muito desta ausência de limites e fico pensando que, às vezes quando não se conhece bem a área na qual você começa um processo de criação, é exatamente a hora que se inova.

domingo, 16 de janeiro de 2011

DOMOTEX_feira de tapetes em hannover 2011

visitar a feira de tapete domotex todos os anos pode não ser uma boa idéia. a velocidade com que se inova no mundo dos tapetes é diferente do universo da moda, por exemplo. portanto, como viemos à feira no ano passado, vimos muitas novidades que ainda são boas novidades, mas não percebemos coisas realmente inovadoras e que pudessem ser contadas aqui enquanto tal. pode-se falar em tendências de cores: fundos escuros fendi, marrons, azuis e estampas beringela, bordeaux, pretas, isto sim! os desenhos clássicos destruídos na lavagem (stone washed) também ganharam uma proporção enorme nos principais estandes.


a feira tem uma premiação com um juri especializado sensacional e o fato da premiação se tornar aberta neste ano pra quem não está expondo na feira é ótimo. isto fez com que muitos tapetes diferentes e de diversas regiões do mundo pudessem participar.

nesta foto à esquerda é o estande do rug star que fica junto do stand do jan kath à direita

jan kath continua sendo "o cara"! neste ano ele venceu em duas categorias do prêmio e agora está realizando parceria com os produtores orientais. isto é uma boa atitude. subiu ao palco pra receber o prêmio convidando a turma do oriente para subir com ele. mas as inovações ficaram por conta das coleções tradicionais e na revisão da tradição e não nas coleções que foram o carro chefe dele até hoje: modern rugs.

outras cias produtores de tapetes contemporâneos e muito fashion (em geral inglesas, mas também alemãs, canadenses e suíças) estão visivelmente crescendo. uma delas é parceira do jan kath, a rug star. eles são realmente arrojados, mas, eu, particularmente, acho os tapetes muito desenhados, artísticos demais e nada comerciais (pelo ao menos não venderia no brasil). muita cor e forma. isto acaba competindo com o restante do espaço e talvez até enjoando de tão forte. fico pensando que este tipo de peça é realmente diferente de uma boa peça de design. fica exatamente no limite entre o design e a arte. daí que tá valendo pra compor ambientes das casas dos colecionadores (e falar isto mataria qualquer curador ou artista de raiva se estivessemos falando de pinturas). às vezes tapetes para serem pendurados na parede ou pra ficar solto numa grande sala... eu prefiro os que são radicalmente novos na técnica e no design, mas que podem ser usados em muitos ambientes e possuem uma presença mais sutil. e que, claro, cumpram seu papel de oferecer conforto ao espaço. outras novas cias também produzem um design bastante interessante e vale citar aqui (premiadas ou finalistas também neste ano): floor to heaven e a knots rugs.





também é bom lembrar que há uma nova leva de designers e cias que são de origem árabe e que estão desenvolvendo tapetes com características fortes tradicionais, mas também com inovações nos acabamentos, cores e padronagens, sem perder as características milenares orientais. alguns deles: zollanvari, hanif sons e chuk palu rugs.


terça-feira, 19 de janeiro de 2010

vencedores do carpet design awards por categoria

Domotex Hannover _ Carpet Design Awards on Sunday, Jan. 17 / os vencedores:


Best Collection Modern / Jan Kath GmbH, Radi Deluxe Collection

Best Modern Design Superior / Zollanvari AG, Mirage

zollanvari

Best Modern Design Deluxe /Theo Keller GmbH, Mosaic

Best Traditional Nomadic Design Superior / Hanif Sons (Pvt) Ltd, Quicksand Caricature


Best Old/Antique Carpet /SMY (Amin Motamedi), Bijar rug

e para mais informações ver neste site da feira: premiados em detalhes...
Best Traditional Nomadic Design Deluxe / Creation Roesner, Mrirt
Best Modern Design Standard / Chuk Palu Rugs, Burya
Best Collection Traditional / Woven Legends, Inc./Özkent Hali, Shirvan Collection
Best Traditional Workshop/Formal Design /Woven Legends, Inc./Özkent Hali, Tabriz
Best Innovation / Angel Trading, On the Rocks"